A Felicidade num abraço!
Estava uma manhã linda, o sol a brilhar, os passarinhos a
cantar, no ar pairava o aroma fresco das flores. Estava um dia perfeito de Primavera.
Acordei, levantei-me bem devagarinho com uma preguiça fora
do normal, sentia-me muito pensativa naquele dia, sentia que me faltava algo,
tinha uma tristeza vinda sabe-se lá de onde, no entanto, tinha de continuar, o
meu dia ainda agora tinha começado. Dirigi-me para a cozinha, preparei o
pequeno-almoço, comi, tomei um banho bem quente e longo, saí... vesti-me e
preparei-me para sair de casa.
Saí de casa. Tudo á minha volta reluzia, o sol brilhava, os
passarinhos cantavam e voavam felizes, de um lado para o outro. O céu estava repleto de um azul clarinho fantástico, ao longe um
lindo prado, cheio de flores amarelas e azuis, libertavam o doce aroma da Primavera
(que chegara á pouco tempo), um verde esplendoroso da relva ainda húmida (devido
ao orvalho da manhã). Era encantador
aquele cenário, transparecia uma calma... Que só quem via aquilo, era capaz de
sentir, mas mesmo assim, eu continuava triste, a sentir que me faltava algo.
Desci as escadas do prédio, e comecei a pensar.
“O que se passa comigo? Está um dia lindo, motivador e eu
aqui, triste. Afinal o que se passa?”
Continuei o meu caminho cabisbaixa, sempre a pensar, no que
poderia ser, o motivo da minha infelicidade. Andei, andei, andei... e andei,
quando de repente, perdida no meus pensamentos, paro... Olho ao meu redor e não
sei onde estou. Perdi-me, fiquei sozinha, num lugar que jamais tinha visto na
minha vida. Não tive medo, nem fiquei assustada, pois o ambiente que me envolvia
era simplesmente mágico.
Uma pequena clareira, no meio do nada, com uma cascata de
água fresca e límpida, flores de várias as cores espalhadas pela relva húmida e
fresca, um tom alaranjado dos raios solares a penetrarem pela densidade das
árvores existentes, refletindo na água da pequena cascata, criando um pequeno arco-íris.
Era fantástico, era acolhedor, aquele local. Fiquei embasbacada a olhar, a apreciar a
beleza que a Mãe Natureza criara. Aquele local não transmitia senão uma
serenidade avassaladora, penetrante e inspiradora. Deixei-me envolver naquele
ambiente mágico e sentei-me numa rocha mesmo á beira da água.
Ouvi o chilrear dos passarinhos, o som da água a cair, senti
a brisa fresca e a doce essência das flores, vi uns sapinhos a saltitar de
nenúfar em nenúfar, uns peixinhos pequeninos bem catitas com várias cores, que
brilhavam, quando passavam debaixo dos raios de sol. E ali estava eu, sentada numa rocha,
envolvida num ambiente mágico mas... Continuava triste... Cai de novo no
pensamento, abstraindo-me de tudo á minha volta. Até que ... Assim vindo do nada, apareceu um
menino... Não tinha mais de 4 aninhos... Era loirinho, tinha uns olhos azuis mais
azuis que o próprio azul clarinho do céu. Tinha um olhar ternurento, tal e
qual, aquele olhar de mãe, quando vê o seu pequenino rebento. Um sorriso lindo
e sincero que iluminava todo o seu rosto. Era de facto um menino adorável.
Olhei para ele encantada, via-o a correr atrás do seu
cãozinho, com as suas perninhas pequeninas e rechonchudinhas, os seus braços
pequeninos, bem esticadinhos na tentativa de o apanhar. Ele não me viu, ali
sentada naquela rocha e então corria. Corria... corria.... e corria... Atrás do
seu cãozinho todo feliz, dava gargalhadas bem altas, refletoras de uma grande
felicidade.
Quando se cansou,
deitou-se na relva fresquinha. Foi quando me viu, ali sentada na rocha,
novamente perdida nos meus pensamentos. Aproximou-se, pôs a mãozinha pequenina
dele em cima da minha e perguntou:
- Estás triste?
Eu toda atrapalhada respondi:
- Sim, um pouquinho.
- Porquê? – Perguntou ele, com uma vozinha doce.
- Não sei, ainda. – Respondi-lhe.
- Sabes, eu também já estive triste. – disse-me.
- Já? E porquê? Porque esteve um menino lindo como tu,
triste? – Perguntei.lhe.
- Porque perdi a minha mamã... - Respondeu-me, com uma
lágrima pequenina, nos seus olhos azuis cor do céu.
Eu paralisei... Olhei o menino... E comecei a chorar.
- Não chores. - Disse-me. A minha mamã está feliz, ela está
lá em cima no céu a olhar por mim, foi o papá que me disse. E ele disse-me
também, que a mamã não ia ficar feliz se eu chorasse, por isso, eu não choro
mais e faço sempre tudo bem, tal como o papá me diz, para a mamã, que está lá em
cima no céu a ver-me, a mim e ao papá, não ficar triste. Tu não tens lá em cima
no céu uma pessoa que gostes muito, a olhar por ti ?
- Tenho sim. Respondi-lhe ainda a soluçar.
- Então.. Não podes chorar, senão essa pessoa que tens lá em
cima, no céu, fica triste. Tu não queres isso pois não ? Perguntou-me o menino,
enquanto me limpava a cara com as suas mãozinhas pequeninas e suaves.
- Não, isso eu não quero. – Respondi.
- Então, já sabes que se chorares, ela lá no céu também
chora. Tens que ser forte.– Disse-me ele a sorrir.
Olhei novamente para aquele menino, par aquele rostinho tão
lindo, e chorei de novo. Só conseguia pensar naquele menino. Ele ali, tão pequenino, tão novinho, a sorrir, a
brincar, feliz... Com uma força incrível, uma alegria contagiante, mesmo
depois, de perder a sua mãe. E eu ali, sentada, triste, sem saber porquê, com
alguém tão pequenino, tão inocente e puro, sem o amor de sua mãe...
Senti-me como nunca
antes me tinha sentido, senti uma vergonha tremenda, de estar ali a lamentar-me,
quando havia alguém, um ser tão pequenino com um sofrimento maior, mas que
mesmo assim, sorria e brincava. Chorei e
chorei, não consegui evitar.
O menino agarrou-me na cara e deu-me um beijinho e disse:
- Olha... Eu gosto de ti...
Abraçou-me forte, mesmo com aqueles bracinhos pequeninos e
disse:
- A mamã sempre me disse que, não há nada melhor, que um
abraço bem apertadinho, para uma pessoa voltar a sorrir. Agora já podes sorrir para mim ?
Eu olhei para ele e ele fez um daqueles sorrisos bem grandes
que dão muita vontade de rir, quando os pequeninos fazem, que eu comecei a rir.
Abracei-o de novo, olhei para o céu e disse:
- Obrigada, meu pequenino.
Autoria: Susana Costa



Touching :')
ResponderEliminarExcelent work for real, one of ur bests because in a bad feeling in the begining U make an excelent ending ! The chilhod is a beautifull thing and we learn with children how to smile sometimes ... I hope when I cry to remember that kid and his wise words :')
thanks and GZ :)