O Amor Numa Ruela Sombria!

Naquela noite, decidi sair, passear... O dia não era dos melhores estava chuva, frio...

Mas mesmo assim, senti-a que devia sair de casa... Peguei no chapéu de chuva e lá fui eu.. Sem destino, apenas a passear debaixo da chuva fria.

Andei por ruas que jamais pensei andar, ruas e ruelas, ali bem no meio da cidade, para as quais eu olhava durante o dia e achava que eram tão sombrias, tão frias, tão misteriosas...

Decidi ir á ruela que mais me intimidava... Parei mesmo ao ínico dela, olhei... Não vi nada, estava deserta, sem um único ruído, ainda mais mesteriosa que o normal. Hesitei.. Recuei... Mas..Depois de algum tempo decidi enfrentar, seguir aquela pequena ruela e ver o que nela se escondia...

Qual não foi o meu espanto, quando vi uma pequena menina, sentada num banquinho de madeira, bem pequenino, percebia-se bem que era feito á mão (provávelmente pelo avô ou pelo pai da menina) pois tinha ainda dois preguinhos fora da madeira. Ela estava lá sentada a olhar para o chão, muito quietinha, muito pensativa.

Aproximei-me dela com algum receio, mas respirei fundo e falei-lhe:

- Olá pequenina, porque estás aqui tu sentada sozinha, á noite, neste banquinho pequenino?

Ela olhou para mim, com uns olhinhos bem pequeninos, todos castanhinhos (tipo pequeninas nozes e muito) e brilhantes.

- Olá, estou á espera que o meu papá venha do trabalho.

Eu muito espantada,por ela esperar por ele naquele pequeno banquinho, na rua, sozinha, perguntei.

- E porque não estás em casa á espera que ele chegue?

- Porque o papá vem cansado. – Respondeu

Aquilo ainda me indignou mais.. Então mas porquê na rua, sozinha (perguntava-me eu )...

- E não esperas em casa porque querida? Porque estás aqui ao frio, á chuva? –Perguntei

- Não percebes ? O papá vem cansado do trabalho, chega a casa e quer dormir, por isso eu espero aqui, sentadinha, para lhe dar um beijinho de boa noite e dizer que o Amo muito.

Eu não entendia, não conseguia perceber o porquê de estar na rua e o porquê daquele banquinho que não era nada confortável.

- Mas sabes que o teu papá, não se importava que entrasses e esperasses por ele ao quentinho, e num sítio mais fofinho. – Disse-lhe

- Eu sei, o papá diz sempre para eu não esperar por ele na rua, mas eu quero ver o meu papá feliz. – 

Respondeu-me a menina com os olhinhos cheios de água.

Ao vê-la assim, deu-me um aperto forte no coração, um nó na garganta, e os meus olhos encheram de lágrimas.

- Mas porquê minha querida ela fica feliz na mesma, o mais importante é o teu beijinho de boa noite e o dizeres que o Amas. – Disse eu, a tentar conter as lágrimas.

- Eu sei, mas tem que ser cá fora, porque o papá quando passa a porta de casa, fica muito triste, por sentir a falta da mamã e da mana. Então.. Eu espero cá fora todos os dias, para o poder ver a sorrir sinceramente. 

– Disse-me ela, já com duas gotinhas a escorrerem-lhe pelo seu rostinho.

Fiquei petreficada, não conseguia dizer nada... Calei-me.. Chorei... Abracei-a... E ela continuou dizendo:

- A mamã e a mana, foram para o céu, sabes... vinhamos de férias e um senhor estava bêbedo, veio contra o nosso carro, e a mamã e a mana, não abriram mais os olhos. 

Ela chorou muito quando me disse isto, eu mal a percebi-a, com tantas lágrimas, com a vozinha dela ofegante. E chorei junto a ela.

Quando de repente ela pára, limpa a sua carinha e corre..

Tinha visto o seu pai ao longe, que chegára com um ar entrestecido... mas ao ver a menina a correr na sua direção ficou com um sorriso bem sincero (deu para perceber mesmo de longe). E ela fez o mesmo que me tinha dito, deu-lhe um beijinho de boa noite e disse-lhe que o amava muito.

Eu fiquei ali, parada no meio da ruela, no meio da chuva, a olhar... Era tão lindo ver tanto amor, não podem imaginar a sensação que tive... Chorei, mas desta vez de felicidade.. Era tanto amor que pairava agora naquela ruela fria, era tanta ternunra que enchia o meu coração..

Vieram então, os dois, de mãos dadas... E ela parou mesmo á minha frente... Agarrou-me nas mãos, puxou-me para baixo e disse, bem baixinho ao meu ouvido.

- Ah e o banquinho, aquele ali de madeira pequenino? Era o banquinho, que o meu pai fez para a minha mamã quando ela estava grávida da minha maninha e esperava o meu pai á porta de casa comigo nos seus braços.

Fiquei paralisada com as lágrimas a escorrerem-me pela cara. Ela seguiu com o seu pai, que levava o banquinho pequenino de madeira na mão e a sua menina no colo.

Pensei para mim, que naquelas ruelas escuras e misteriosas, provávelmente se escondiam os melhores corações, as melhores emoções, e provávelmente era o sítio onde existia mais amor.

E desde esse dia, decidi explorar cada ruela da cidade. Na esperança de ver mais e melhor.

Comentários

  1. Um dia disseste que eu tinha jeito para escrever, mas o verdadeiro tu é que tens. :) Continua Susana, está bastante bom. Boa sorte :)

    ResponderEliminar
  2. Like I told U, on this one U almost made me cry :')
    That "child" is an example of strength because she fight everysingle night for her dad's smile :')
    ONE OF YOUR BESTS TEXTS FOR SURE !! GZ

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares