O Fim de Tudo


Saio para a rua… saio sem qualquer destino….

Ando, ando e ando…

Ninguém me conhece, eu não conheço ninguém…

Eu própria não me conheço, mas continuo a andar…

Ando… sou um corpo sem alma, uma pessoa fria, escura… Sou a minha destruição…

Avanço, avanço, para caminhos desconhecidos, afinal se me perder também ninguém sente falta…

Porque ninguém me conhece, eu não conheço ninguém…

As memórias, essas vêm, eu ando e quanto mais ando, mais elas se apoderam de mim…

PAREM! Não quero mais ter-vos, não quero mais ver-vos, SAIAM”…

Elas não vão embora, começo a correr na esperança que acabem, continuo em caminhos que não conheço, 
mas não me importa…

Porque ninguém me conhece e eu não conheço ninguém…

Estou sozinha no mundo… a minha vida não faz sentido…

E eu corro mais, mais e mais depressa, lavada em lágrimas… cansei …. Não aguento mais, as memorias não vão e o meu corpo vazio não aguenta mais… olho em frente… está um abismo. Penso…

“Mas o que faço eu aqui, onde estou?”

Mas logo me passa isso…

Porque ninguém me conhece e eu não conheço ninguém…

Sou uma alma perdida no mundo…

O pensamento de “ATIRA.TE, ACABA COM TUDO!” invade-me….

Invade-me cada vez mais…

O coração acelera…

E eu VOU!

ATIREI-ME PARA O ABISMO….

E …

A vida parou!...

Já não há dor, não há medo, não há os meus próprios monstros, não há memórias, morri para a vida presencialmente, tal como já um dia tinha morrido mentalmente…

É o fim...

O fim de tudo…

O fim da dor

O fim da vida.

O MEU FIM! A MINHA PAZ!

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